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Desvendando o Indesvendável

terça-feira, março 11, 2014

Reencarnação e Renascimento: Allan Kardec, Madame Blavatsky e a degeneração da Doutrina Budista

Reencarnação e Renascimento: Allan Kardec, Madame Blavatsky e a degeneração da Doutrina Budista


O Budismo, no Brasil e no Mundo, vem sofrendo, especialmente a partir da metade final século XIX, por influência de idéias e doutrinas ocidentais não-tradicionais como o “Espiritismo” e a “Sociedade Teosófica”, uma série de deformações e alterações doutrinárias de caráter bastante grave.

Idéias completamente estranhas ao Budismo original foram adotadas como “centrais” dentro de diversas seitas enquanto os ensinamentos do Buda histórico foram sendo abandonados, esquecidos e/ou adulterados. Citemos um pequeno exemplo para ilustrar tal fato.

A totalidade das seitas budistas presentes no Brasil, pelo menos tomando-se como referência a média de seus praticantes, aceita a doutrina da reencarnação como uma parte autêntica da fé budista.

Sacerdotes de seitas tão diferentes como a “Nichiren-Shu” de origem japonesa e a “Nyingma” tibetana falam com a mesma desenvoltura sobre reencarnação. No entanto, a reencarnação não é uma doutrina budista, nem sequer uma doutrina conhecida em qualquer religião tradicional da antiguidade.

Com efeito, a idéia de reencarnação surge de forma significativa entre os anos de 1830 e 1848 em ambientes socialistas franceses. A maioria dos revolucionários de então tinham tendências místicas acentuadas e os nomes de Pierre Leroux e Fourier aparecem como os primeiros a enunciarem tal idéia na França. Antes deles, na segunda metade do século XVIII, Lessing na Alemanha parece ter formulado as linhas gerais do que se tornaria a “doutrina” reencarnacionista.

A grande “explosão” do “reencarnacionismo” se deu através da obra de H. Leon Denizard Rivail (1804-1869), conhecido por seus seguidores como “Allan Kardec” que, tendo ouvido relatos sobre certos fatos ocorridos nos Estados Unidos da América e na Europa, dedicou-se a “pesquisar” (de forma completamente independente de qualquer metodologia minimamente científica) tais fenômenos. Tal “pesquisa” deu origem a alguns livros denominados de “codificação espírita” (“O Livro do Espíritos”,”O Livro dos Médiuns”,”O Evangelho Segundo o Espiritismo”, “A Gênese”, “Céu e Inferno” aos quais alguns acrescentam “O que é o Espiritismo?” e as “Obras Póstumas”) e a um movimento denominado “espiritismo kardecista” que se tornou uma febre entre homens e mulheres sedentos de misticismo e de “respostas” aos seus anseios pessoais em uma época em que se sentia claramente o desgaste do racionalismo e de um exacerbado cientificismo.

A base fundamental da Doutrina Espírita é um universo onde seres desprovidos de corpos físicos evoluem através de um sistema de “pecado-retribuição”, vindo a se “encarnar” na Terra ou para se “purificar” ou para “desempenhar uma missão”. Esses “seres desencarnados” se comunicam com os encarnados através de médiuns de diversas classes (sensitivos, videntes, psicógrafos, audientes etc.) trazendo as “revelações do além túmulo” para orientar os vivos.

Ao morrermos vamos necessariamente “reencarnar” para purgar os pecados e faltas do passado ou, se formos espíritos evoluídos, poderemos ser escalados para uma “missão” na Terra, ajudando a outros seres menos evoluídos ou agindo como “instrutores” no mundo espiritual.

O corpo é, para os espíritas, apenas um invólucro inferior, que é descartado na morte liberando o perispírito (corpo semi-material, seja lá o que isso quer dizer) e a alma, que constituem o espírito.
Só isso, segundo “Kardec”, poderia explicar a origem das desigualdades de nascimento, os defeitos genéticos, os sofrimentos da vida, as contingências desagradáveis e tudo o mais.

Até a escravidão é justificada, uma vez que os escravos vieram expiar dívidas de vidas passadas morrendo nos navios negreiros, nos pelourinhos, comidos por formigas, de fome, doenças e tudo o mais. Essa é a “Justiça Divina”. Se você é simpatizante do espiritismo e alguém da sua família morrer com um tiro na cabeça ou ficar paraplégico em um assalto, não reclame. É o karma de vidas passadas. O bandido foi só um instrumento da “justiça divina”...

Pouco tempo depois da morte do fundador do espiritismo, por volta de 1874, Henry Steel Olcott e Helena Petrovna Blavatsky, fundadores da “Sociedade Teosófica”, iniciaram suas reuniões na cidade de Manhattan , reuniões estas onde idéias espíritas, herméticas e cabalísticas se misturavam em uma estranha síntese arquitetada pela imaginativa e inteligente Blavatsky.

A “grande história” de Blavatsky, ou seja, aquela que serviu de base para todo o desenvolvimento posterior de sua doutrina, foi sua suposta viagem a um “vale oculto” do Himalaia tibetano, em uma comunidade de “avatares”, super-sábios que haviam atrasado o próprio ingresso no nirvana para ajudar a humanidade. Blavatsky teria passado sete anos junto dessa comunidade e com eles teria aprendido a antiga sabedoria que revela os mistérios do universo.

Devido a diversos fatores e contingências que não nos cabem analisar nesse breve relato, em 18 de dezembro de 1878 Blavatsky e Olcott partem para a Índia e lá estabelecem a matriz da Sociedade Teosófica. Estabeleceram-se inicialmente em Bombaim e lá procuraram relacionar-se com nativos de todos os estratos da sociedade.

Sem conhecerem o sânscrito, páli ou qualquer outra língua falada na Índia, grande parte daquilo que “entendiam” lhes era passado por intérpretes de proficiência duvidosa e por sua imaginação, que empregava sem maiores escrúpulos, os ensinamentos trazidos da Europa, da América e do “Mundo Astral”...

Quando Blavatsky e Olcott ouvem falar sobre “renascimento” e lêem as traduções inglesas de alguns livros religiosos indianos, com imensa facilidade agregam a doutrina espírita de “reencarnação”, moderna e ocidental, àquilo que compreendiam como sendo a mais ortodoxa visão do Dharma de hindus e budistas. Com isso, tornam-se porta-vozes do “Oriente Misterioso” para ocidentais deslumbrados e orientais incultos.

Blavatsky, deliberadamente cria uma “doutrina” que, sob um véu de pseudo-intelectualidade e pseudo-profundidade, utilizando-se do nome de vários filósofos ocidentais que ela não conhecia, citações inexistentes (atribuindo obras a quem nunca deixou uma linha escrita como Amônio Saccas e citando frases inexistentes sem dar qualquer referência além de um nome como “Pitágoras”, “Plotino”, “Platão”) e seu “conhecimento” do sânscrito (inventado para impressionar aos incautos com abundantes citações de termos com os significados mais deturpados ) e as estampa nas suas obras principais “A Doutrina Secreta” (6 volumes na edição que disponho), “Ísis Sem Véu” (4 volumes no edição que disponho), “Glossário Teosófico”(18.000 verbetes em 777 páginas), além de outras obras menores como “A Voz do Silêncio”, “A Chave Para a Teosofia” que são acompanhadas por outros autores igualmente catastróficos como A.P. Sinett, com o infame “Budismo Esotérico”, Olcott com o “Catecismo Budista” e , posteriormente, Annie Besant e C.W. Leadbeater com as mais fantasiosas obras sobre a espiritualidade que se tem notícia.

Tais equívocos e deformações deram origem a um “efeito rebote” bastante interessante. Vários nativos da Índia e da Ásia, muitos budistas e hindus de nascimento, que pouco ou nada compreendiam de suas próprias religiões com doutrinas filosóficas altamente abstratas, passaram a “entendê-las” através das palestras proferidas por membros da Sociedade Teosófica, que empregavam uma linguagem muito mais ‘palatável’ à sua compreensão.

Aliás, em uma colônia inglesa como era o caso da Índia de então, a palavra de ocidentais “cultos” era algo a ser tomado em grande consideração, ainda mais quando se tratava de cultura nativa, uma vez que a maioria dos ocidentais residentes na Índia depreciavam a cultura local tomando-a como inferior.
A conversão de Olcott e Blavatsky ao Budismo Theravada no Ceilão só veio reforçar sua “autoridade” no assunto, bem como de toda a Sociedade Teosófica.

As “interpretações” de Blavatsky e, posteriormente, de nomes como Annie Besant e Charles Leadbeater, espalharam-se como rastilho de pólvora por toda a Ásia, contaminando praticamente todas as seitas budistas conhecidas de então. Mediante isso, não é de se estranhar que um conceito moderno e ocidental, que nada tem em comum com o Budismo Antigo seja trazido por missionários japoneses, chineses, coreanos e tibetanos como a mais confiável das doutrinas budistas.

Só para se ter idéia do nível de contaminação e de morbidade das idéias de Blavatsky, vamos analisar “grosso modo” o que ela classifica como uma doutrina budista de “reencarnação” e depois vamos comparar com o conceito ortodoxo de renascimento no Budismo:

Blavatsky afirma que o ser humano é composto de:
1) O Eu Superior = Atma, que é Universal, uma parte de Deus, uma centelha divina que está em nós.
2) O Ego divino Espiritual = Buddhi
3) O Ego interno ou superior= Manas, princípio-mente que só é considerado “espiritual” quando fundido com Buddhi. É o “Ego-reencarnante” ou a “individualidade permanente”
4) O Ego Inferior ou pessoal = Homem físico em conjunto com seu “eu-inferior”, ou seja, instintos animais, paixões, desejos, etc. É chamado de falsa personalidade e consiste de “Manas inferior” combinado com “kama-rupa”, operando através do “corpo físico” e seu “fantasma” ou duplo.
O princípio restante seria “prana” ou a vida, é, estritamente falando, a energia de “atma”.

Bem, a confusão de termos é evidente. Primeiro é simplesmente ridícula a distinção entre ‘Eu’ e ‘Ego’ que, rigorosamente e etimologicamente, querem dizer a mesmíssima coisa (ego é ‘eu’ em latim).

O conceito de “Atma” então é caótico na concepção blavatskyana, misturando idéias de origem cabalística como “centelha divina” e outras idéias completamente descontextualizadas. “Atma” é equivalente, em sânscrito a “si-mesmo” ou o “eu verdadeiro”. Tanto que a tradução correta da palavra “anatman” não é “não–eu” ou “não-self” mas sim “aquilo que não é self”, ou “aquilo que não é o eu (verdadeiro)”. Atma não tem nada a ver com “centelha divina”, sendo pura e simplesmente a verdadeira natureza do indivíduo.

Quando Buda fala em ‘anatman’ ele usa a “via negativa”, ou seja, expõe o que não é parte do eu-verdadeiro e que não deve ser confundido com ele.

Buddhi também não tem nada a ver com “Ego divino espiritual”. Blavatsky era completamente leiga em filosofia indiana, usando os termos de forma descabida.

Buddhi, na filosofia Samkhya , Yoga e posteriormente no Vedanta é o primeiro produto, ou desdobramento da matéria (prakriti). É a forma de existência mais refinada, significando a lógica intrínseca dos processos naturais que gera todas as outras categorias da existência (tattva). Sendo assim, a duplicação celular, o funcionamento autônomo dos fenômenos naturais e a vida como um todo são manifestação de Buddhi. A evolução, no sentido mais darwiniano do termo, é Buddhi.

A segunda definição de Buddhi é nossa faculdade de sabedoria, ou seja, são nossos processos racionais, nossa capacidade de compreender corretamente os fenômenos , o que nos dá a possibilidade de transcender a animalidade ou o domínio dos instintos. Buddhi é tudo aquilo que faz de nós “animais racionais” que podem evoluir para um “ser civilizado”.

Manas também não tem nada a ver com “ego reencarnante” ou “individualidade permanente”. Manas é simplesmente ‘mente’, ou seja é o elemento organizador das informações recebidas pelos sentidos. Devido à proximidade com as funções dos sentidos pode ser considerado um “outro sentido” ou um “sentido ordenador”. Manas funciona através do desejo, da faculdade da vontade, da dúvida (que nos faz buscar a verdade por trás da aparência) , da fé (no sentido de que o intelecto se conforme com aquilo que é apreendido pelos sentidos), da falta de fé (aquilo que não se conforma com o intelecto ), da resolução (de fazer, não fazer, crer ou não crer, buscar ou não buscar a compreensão etc.), da irresolução, da vergonha, do conhecimento e do medo.

O ‘Ego-inferior’ ou pessoal blavatskyano seria a parte “animal” guiada apenas pelos instintos. Aqui Blavatsky mostra todo seu dualismo, separando a constituição física do homem dos efeitos de sua mente. Ora, o Budismo é uma forma de pensamento advaita (‘funi’ em japonês) que é radicalmente oposto a esse dualismo maniqueísta de Blavatsky. No Budismo, os sentidos e todo o ser é envolto no processo da Iluminação, não havendo a oposição (tão típica do pensamento cristão de “oposição” entre o “espiritual” e o “material”) entre uma parte espiritual “superior” e uma matéria “inferior”.

Blavatsky é desmentida pelo Budismo e pela ciência moderna que, cada vez mais, mostra as relações inseparáveis entre o funcionamento da mente e do corpo e da interdependência profunda entre todos os elementos constituintes dos seres.

Aliás, hoje, tendo em vista os avanços da neurociência, se tornam cada vez menos definidos os contornos entre a “mente”, “o livre-arbítrio” e as condições geradas por fatores como hormônios, enzimas, condições exógenas etc. Isso só vem confirmar o não-dualismo Budista e desmentir a cara de pau teosofóide.

O que podemos apreender de tudo isso é que Blavatsky é uma falsária que nunca entendeu de Budismo nem do pensamento filosófico indiano, jogando as fezes de sua mente no ventilador internacional das pessoas despreparadas que creditam fé aos absurdos e insanidades propalados por ela e sua trupe de charlatões.

Eu tive o desprazer de assistir a uma palestra da seita Nichiren-Shu onde um “estudioso” com cargo educacional (se não me engano, diretor do centro internacional de estudos da Nichiren-Shu) repetiu como um papagaio as teorias blavatskyanas de reencarnação, misturadas com espiritismo kardecista, como se fossem o mais fiel Budismo, para uma platéia de entrevados mentais que ouvia e sorria alegre com tanta “cultura oriental”.

Para esclarecer de uma vez por todas o que quer dizer “Renascimento” no Budismo Ortodoxo , devemos deixar claro o conceito dos “seis mundos samsáricos” , ou seja, os estados pelos quais a mente passa em sua existência samsárica.

A primeira coisa é: Você só vai nascer biologicamente UMA VEZ. Ou seja, você só vai ter UM nascimento biológico (com gestação, parto, infância, adolescência, maturidade, velhice e morte). O BUDISMO NÃO ACEITA REENCARNAÇÃO, pois essa é uma idéia moderna, como acabamos de demonstrar e não tem nada a ver com tradições autênticas da Antiguidade.
Uma vez que você tenha nascido como um ser humano, passará por diversos estados de mente, semelhantes a alucinações ou sonhos, que são representados pelos “seis mundos samsáricos”.

Quando você está envolto em prazeres, parece que nenhum problema pode afetá-lo, o tempo parece parar e toda a tristeza é esquecida. Você acabou de “renascer” no mundo dos devas. O mundo dos devas é muito prazeroso, mas você não pode atingir a iluminação nele, pois as verdades fundamentais da existência estão esquecidas.

Quando você se torna competitivo, quer mostrar sua segurança, sua capacidade, se torna orgulhoso e olha seus concorrentes como obstáculos ou fica tomado pela raiva diante da oposição das pessoas, “renasceu” no mundo dos asuras, ou seres belicosos. Como “asura” você não conseguirá se iluminar pois está concentrado em atingir outros objetivos e mostrar aos “devas” que você pode se tornar como eles.

Quando você está em equilíbrio, observando a natureza de sua própria mente, reconhecendo suas próprias limitações e aspirando transcendê-las sem ser tomado por sentimentos negativos ou prejudiciais, está em sua condição de “humano”. É muito difícil “renascer” como humano quando se está em trânsito pelos diversos “mundos” em que as visões e os sonhos alucinados se sucedem de forma frenética. Só no estado de humano é possível atingir a Iluminação.

Quando seu instinto de preservação e reprodução falam mais alto, você não mais consegue atinar adequadamente sobre as coisas. Você quer sexo, comida, bebida ou satisfazer suas necessidades fisiológicas imediatas. Você se torna irritado diante da fome e começa a buscar meios de se preservar dela. Você luta desesperadamente para se manter ileso e sobreviver. Você sente os apelos da natureza para que reproduza. Um belo corpo feminino ou masculino indica a seus instintos que há ali um espécime saudável capaz de reproduzir “crias” saudáveis e isso é o gatilho para que você fique louco ou louca de desejo sexual. Você “renasceu” no mundo dos animais. Nesse estado, sua verdadeira natureza está escondida pelos impulsos do organismo. Não há espaço em seu ser para buscar Iluminação pois ela parece-lhe muito pouco importante perante os apelos do corpo.

Quando você começa a sofrer pelo desejo de ter, seja lá o que for (dinheiro, amigos, relacionamentos, status etc.) você é como um fantasma cuja garganta é fina mas com uma enorme barriga. Ou seja, sua cobiça e ambição são do tamanho da sua barriga, mas os meios dos quais você dispõe são estreitos e limitados como sua garganta. Você “renasceu” no mundo dos fantasmas famintos. Um fantasma faminto só enxerga o objeto de sua ambição. Se ele quer dinheiro, está pensando em dinheiro e sofrendo por ele o tempo todo. Se quer amigos, vive pensando em como consegui-los e sofre imensamente quando vê suas ambições frustradas pela realidade. Um fantasma faminto só enxerga pela frente aquilo que cobiça e sua cobiça o faz sofrer intensamente, como se estivesse em um deserto, vagando à procura de uma gota de água. Um fantasma faminto não quer saber de Iluminação, só enxerga aquilo que sua cobiça doente lhe implanta na mente.

Quando você é submetido a todo tipo de sofrimento (moral, físico, mental) e afunda nessas sensações como alguém que submerge em uma banheira cheia d’água, renasceu no mundo dos infernos. Seu sofrimento lhe cega completamente. O pesar, a insatisfação, a angústia e todos os efeitos e impactos que isso tem sobre o organismo, invadem sua vida e o transformam em uma sombra sem vida, cujas palavras são lamúrias, choros, dores e um enorme vazio de sentido existencial. Um “ser infernal” não tem forças para buscar a Iluminação pois está mergulhado na dor e no pesar, carecendo de auxílio para retomar o equilíbrio perdido.

Um Buda é alguém que não mais “renasce” no Samsara, ou seja, ele é capaz de atravessar os seis mundos descritos acima sem ser por eles afetado. Da mesma forma, um Bodhisattva sente “compaixão”, ou seja, deseja muito ajudar os seres mergulhados nos seis mundos a se libertarem e saírem do “sonho louco” onde a cada momento morremos e renascemos, tomados por emoções violentas, idéias erradas, orgulho, ignorância, sofrimento e cobiça. Sendo assim, o Bodhisattva tenta compreender profundamente os estados samsáricos e resgatar deles os seres aptos a serem resgatados.

Esse é o conceito budista original. Nada a ver com alminha “reencarnando”, “fantasmas”, “espíritos” que precisam ser acalmados por cerimônias muito bem pagas oficiadas por monges barrigudos e ociosos, “Budas reencarnados” no lama Zezinho ou Manézinho do Himalaya ou coisa que o valha.
Só acredita nesse monte de baboseiras quem quer ou necessita de muletas “místicas” ou aprecia ser enganado.


Veja Também: REENCARNAÇÃO

sábado, março 01, 2014

SEXO - O sagrado demonizado

SEXO - O sagrado demonizado

Sexo em nossa sociedade cristianizada sempre foi um tema complicado, pois Religião e Sexo se misturam de uma forma absurda, portanto eu pergunto: 

Por que são as religiões tão preocupadas com o sexo? 

A pregação cristã tenta de todas as formas demonizar o sexo sem o propósito de procriação. Isso é doentio. A preocupação de todos os teólogos, não importa qual denominação pertença, com o controle da sexualidade contém uma patologia que não bate com os tais princípios da criação. Porque, se Deus criou tudo o que existe, também criou o sexo, a sexualidade, com todas as variações possíveis. 

Como disse Voltaire " As leis exercem vigilância sobre os crimes conhecidos, a religião exerce-a sobre os crimes secretos. Mas, a partir do momento em que os homens chegam a abraçar uma religião pura e santa, a superstição torna-se não apenas inútil, mas muito perigosa. A superstição está para a religião como a astrologia está para a astronomia, a filha louca de uma mãe sábia. Essas duas filhas subjugaram durante muito tempo a Terra inteira" (Voltaire, no Tratado Sobre a Tolerância).

Não vou nem cair na besteira da discussão inútil de que o ato criador é um ato sexual. Isso apenas traria a ira inconsequente dos cristãos e não levaria em nenhum lugar. O que me incomoda, nessa excessiva preocupação cristã, existente em praticamente todas as religiões, em demonizar o sexo, é que não há nisso nenhum objetivo aparente, não há nenhum motivo real ou imaginário. Por que o ato sexual, seja ele praticado da forma que for, ofende tanto a natureza desse Deus? Não me venham os teólogos com suas citações canalhas de textos da bíblia ou de outros textos ditos "sagrados" ou de autores antigos, filósofos ou teólogos, a justificar que Deus é assexuado e sexófobo por isso ou aquilo. Não há explicação lógica. Em que o ato sexual poderia apresentar-se como antirreligioso? Principalmente sabendo-se que ninguém, absolutamente ninguém, até há pouco tempo, nasceu sem que um homem e uma mulher tivessem relações sexuais (e é ainda mais estranha a irritação dos cristã com a ciência, por descobrir métodos de concepção artificial, como a reprodução in vitro ou a clonagem. Mas isso é outro assunto). Levanto ainda uma teoria, provavelmente tão absurda quanto a própria idéia de que o sexo é ofensivo ao criador. Talvez a aceitação da sexualidade humana, desprovida de qualquer outro objetivo que não seja o de procriar, contamine de forma definitiva a própria idéia da existência desse Deus, por ser o ato sexual uma ação animalesca, no sentido mais puro da palavra, isto é, o homem faz sexo exatamente como os animais, tendo, porém, um componente a mais: o prazer consciente do próprio prazer. O homem procura a fêmea ou vice-versa por um instinto animal, o que contraria a ideia de que tenha sido o homem criado à imagem e semelhança de Deus. Mas aceitar o sexo como forma de prazer é aceitar a ideia de que Deus também o pratica e com ele também obtém prazer, o que pode ser uma idéia tão tola quanto rejeitar aquilo que cientificamente está provado: que somos, sim, seres provenientes da evolução, e conservamos em nossos genes instintos primitivos de sexualidade e de violência, ligados ao instinto básico de todo ser vivo, a preservação da espécie.

Se pensarmos que a energia sexual é tão necessária à humanidade perceberemos que mesmo abstratamente teremos mesmo que ocultamente diversas obras que reverenciam o sexo, os obeliscos com menção ao falo, curvas de carros que lembram as de uma mulher, fachadas e tuneis, que passam despercebidos pelo nosso dia a dia, mas que podem ser fruto do instinto sexual.

O uso de chifres também na era antiga tinham como base o falo, as coroas representavam não apenas a autoridade, mas a capacidade de prover fertilidade e prosperidade.

Toda essa questão ficou tão impregnada pelos conceitos de pecado que mesmo dentro de grupos o sexo ainda é tido como pecaminoso fato que deriva de que tudo o que tem chifres não remete a sexualidade, mas sim a campanha criada pelas igrejas cristãs para descaracterizar os cultos da natureza e toda mítica dos povos antigos substituídos pela mítica judaica cristã na figura do Diabo.

Sem dizer os inúmeros benefícios que o sexo traz para aqueles que o praticam, os benefícios físicos da atividade sexual são vários:
 
• Aumento dos batimentos cardíacos.
• Aumento da capacidade pulmonar.
• Liberação de endorfinas (hormônio que nos dá a sensação de prazer e bem-estar).
• No caso das mulheres, maior vascularização pélvica (o que a protege contra agentes externos) e aumento da quantidade de muco (o que “lava” a vagina e renova a flora vaginal).

No âmbito psíquico, a prática do sexo:

• Favorece a criatividade.
• Estimula as fantasias.
• É uma excelente válvula de escape para o estresse.
• A liberação de serotonina ajuda a afastar transtornos psicológicos, como a depressão.

E como os pagãos enxergam o sexo? Deveriam observar pelo lado natural, sem estarem no contexto de pecado e/ou de perda de pureza, fazer sexo não implica em ter uma propensão à perversão ou falta de caráter.

O ato sexual era tão importante para a sociedade antiga e mística que através do sexo foram criados ritos mágicos que envolviam iniciações, comemorações baseados nos ciclos da natureza e até evocação de potências espirituais.

Fomos induzidos a acreditar e a aceitar que o sexo é algo sujo e errado. Um pecado!
 
A igreja, que é o sistema que domina hoje, abomina a vida, pregando que o sexo é sujo e feito somente para procriação, e que, a mulher não deve sentir prazer.

As mulheres tornam-se seres não pensantes depois que viram cristãs e seguem a igreja, acreditando REALMENTE que são seres dignos de pena e provedoras do pecado original.
 
Mas você já parou para pensar na importância que têm o sexo?
 
Sabemos perfeitamente que o sexo é sagrado, e ele faz da mulher um ser ainda mais divino!
 
Quem nos concede o sopro da vida são os Deuses, mas é somente por meio do sexo que somos capazes de gerar vidas dentro de nós. Partindo desse pensamento, como ainda há mulheres que se acham indignas e pecadoras? Será que não conseguem enxergar que, somente existem pessoas hoje, porque vieram todos de um útero? Tem certeza que você é ímpia? Por quê? Somente porque é a principal responsável por trazer a vida ao mundo?
Pense melhor...

O Paganismo é uma crença antiga que venera o sexo como algo primordial e divino. Dizem que a sensação de morte assemelha-se ao orgasmo. Sendo assim, o orgasmo é o princípio e o fim. Viver e morrer são os maiores orgasmos!
 
O que nós somos, se não um orgasmo? Viemos do sexo, logo ele não é sujo, pois nós somos seres divinos. Pedacinho dos Deuses!
 
Os povos antigos veneravam aquilo que eles viviam, ou seja, eles percebiam que, quando um homem e uma mulher se juntavam e se amavam, nascia dáli uma nova vida, assim como nasce o sol... uma luz, uma vida, todos os dias!
Como era possível, uma criança sair de dentro de uma mulher?
 
Você já parou para pensar na sacralidade que tem o nosso útero? Por que nós, mulheres?
 
Pense também: Como nos referimos ao sexo de uma forma mais carinhosa? Chamamos de “fazer amor”, não é mesmo?! Não será correto também, se falássemos “fazer vida”?! O que seria uma criança, se não a forma mais incondicional e pura do amor?
 
Pare para refletir sobre essas questões...

Energia sexual é energia criativa que move a vida, nossas vontades e desejos" (Carl Gustav Jung)  

A sexualidade é algo muito amplo que não se resume apenas na reprodução humana, pois a energia sexual é fundamental para nossa evolução.

Em verdade, uma vida sexual saudável pode proporcionar ao ser humano a alegria de viver e o entusiasmo pela vida. Pelo contrário, reprimir o fluxo da energia sexual pode acarretar inúmeros desvios e distúrbios em sua vida.

Freud, o pai da psicanálise, estudou e chamou de libido essa energia sexual. Em seus estudos, descobriu que a repressão da libido provocava várias doenças em seus pacientes. Seu discípulo, William Reich, dizia também que a saúde do ser humano dependia de sua sexualidade. Freud definiu saúde mental como “sexualidade e sociabilidade naturais, espontânea satisfação pelo trabalho e capacidade de amar”.

Apesar de termos hoje laboratórios para estudar e entender o funcionamento sexual humano, ainda assim vivemos numa sociedade que mal entende sua sexualidade, e que sofre de vários distúrbios sexuais.
O sexo é de suma importância na nossa vida, eu diria que é o pilar, a base. Há muitas coisas bonitas e sagradas no ato de amar e, até mesmo, no ato de gozar!

E tenho dito!
 

quinta-feira, fevereiro 06, 2014

SONHOS

SONHOS

Interpretar um sonho está mais para o sonhador do que para alguém terceiro, não querendo dizer que não possa interpretar para o sonhador . Depende do estado do sonhador em saber interpretar se foi algum sonho premonitório, de conflitos internos ou de sua pura imaginação, é onde pode entrar outros para ajudar, às vezes quem está de fora pode perceber que tipo de sonho teve.

Costumo simplificar e enumerar três tipos de sonhos:

Sonhos premonitórios são sonhos que podem alertar, direcionar o sonhador para ele próprio e/ou para outros, até mesmo desconhecidos;
Sonhos internos são conflitos internos pessoais, se manifesta durante o sono que é a única hora onde a pessoa é livre para fazer o que quer, o que não faz e não é no dia a dia ou até mesmo onde se manifesta os medos internos, os conflitos do dia a dia, às vezes pode se ter um controle do sonho;
Sonhos de imaginação são aqueles sonhos sem pé e nem cabeça ou normais e facilmente percebe-se que é bem fácil de controlar esse tipo de sonho.

Mesmo que a interpretação está para o próprio sonhador por ter vivido aquilo, nem sempre conseguimos distinguir se realmente aquilo foi real ou não, nem sempre o que parece ser real é premonitório, é apenas uma grande peça pregada pela sua mente que não entendida, sufocada, manipulada no dia a dia, cria formas inimagináveis quando se sente livre.

Como diferenciar cada um?

Nos sonhos premonitórios, analisando vários casos tem algo em comum. Há casos na qual a pessoa está acordada e do nada cai num sono pesado, apenas no deitar e virar de lado na cama por exemplo. Nesse tipo sonho você sente tudo, mesmo em caso onde você não é só o observador e sim quem faz parte, não se tem o controle dos acontecimentos, a pessoa é levada automaticamente a lugares e situações e uma vez acordada cria uma forte impressão de todo acontecimento, não sai da cabeça cada detalhe e junto as sensações.

Nos sonhos internos, os conflitos internos que nada mais são que regras, moralidades da sociedade, faz com que a pessoa seja o que a sociedade quer que seja e acaba escondendo dentro de si o que realmente é e só através do sono que consegue ser libertado e com isso acaba sendo um emaranhado confuso e descontrolado. Nesse muitos confundem que estão tendo um sonho premonitório, aparecem figuras demoníacas, santas, divindades, abduções. Um exemplo que posso dar até pessoal sobre esse tipo de sonho era o que acontecia comigo Enid. Anos atrás era uma pessoa cristã como qualquer outra e toda noite antes de fechar os olhos rezava um pai nosso e uma ave Maria, era sagrado. Quando estava com muito sono e acabava dormindo antes ou durante a reza por causa do sono acabava cochilando e não prestando atenção, não rezando direito, era certo que sempre tinha pesadelos. Eram pesadelos que sempre estava fugindo de algo, formas demoníacas me atentando, pesadelos onde ficava presa nos lugares, dava voltas e voltas e nunca saía do lugar ou não encontrava uma saída. Sempre escutava “tem que rezar toda noite para proteção” e me diziam que esses sonhos de fuga era eu fugindo dos meus inimigos de vidas passadas.  Hoje em dia nem sei mais o que é pesadelo, nem me lembro qual e quando foi o último. Isso mostra os conflitos internos da pessoa que está gritando por dentro, e quando trabalha com isso automaticamente esse tipo de sonho desaparece. A recusa do seu eu interno, de trabalhar com ele, de não querer conhecê-lo por acreditar que o que chamamos de sociedade e sua ética e moral é o que vai nos levar ao bom senso e caminho certo, durante o sono acaba sendo e fazendo coisas que nunca e jamais faria quando acordada. Por exemplo a castidade, a pessoa é toda certinha, segue todas as regras, é bem vista pela sociedade e durante a noite sonha com suruba. Daí ela vai acreditar que aquilo é ‘O’ coisa ruim que está atentando, daí de dia faz suas orações, se confessa, fica ajoelhada no milho ou qualquer outra coisa e acredita que está tudo certo. Às vezes se não fosse pela religião, dormiria com vários todas as noites por ser assim por dentro e às vezes pode ser apenas uma forma de sua mente dizer que está sufocada, que está em conflito.

Nos sonhos de imaginação nem precisa falar muito, é a sua mente brincando e criando um mundo novo ou simplesmente dando umas voltas por aí.

Não podemos nos esquecer que sonho nem sempre se limita apenas a mente, podemos estar realmente em lugares reais. Estamos em uma época que há um número crescente de sonhos premonitórios, no qual podemos incluir também os sonhos de encontro (com divindades, extraterrestres, santidades, etc), muitos com as mesmas imagens e situações de vários lugares do planeta. O que precisamos ter consciência primeiramente é o fato de que a nossa mente é grande, expansiva, poderosa, tudo que vemos a nossa volta foi criada pela nossa mente, o que nos faz seres vivos é a nossa mente. Se colocarmos várias pessoas em um ambiente e através de uma espalhar o pânico, logo todos estarão na mesma sintonia mesmo sem saber o que é. Assim acontece com o sonhador que pode captar as mesmas leituras de outros mesmo estando longe. Fatores externos ajudam bastante para que isso ocorra, mesmo aqueles que não tinham ouvido falar sobre tal assunto e acabam sonhando, podem simplesmente ter captado.

E mesmo que chamamos de sonho só por uma realidade não estar ao nosso entendimento, um sonho premonitório/de encontro pode sim ser real, mas não quer dizer que o restante ao seu redor seja totalmente verdadeiro. Por exemplo, uma pessoa que diz ter sonhado com Jesus Cristo, ela vai afirmar que aquilo foi real mesmo e pode ter sido mesmo, só que pode simplesmente ser qualquer outro ser travestido dessa forma não só pelo sonhador ter esse tipo de crença e não aceitar outra tipo de forma ou vida, ou até mesmo estar sendo enganada a fazer determinadas coisas para fazer sem questionar o que foi pedido. E acontece muito no meio ufológico também. É uma troca, o sonhador é alimentado pelo enganador que alimenta o sonhador.

A ajuda vinda de fora, por alguém que possa interpretar por você pode ser útil até o ponto do direcionamento, nunca a interpretação em si. Se você teve o sonho, seja ela qual tipo for, foi direcionado a você e só você cabe interpretá-lo, caso outrem soubesse, não teria o sonho.

A negação em conhecer a si próprio traz conflitos tão grandes, barreiras tão grandes que não se limita só nessa vida, daí muitos pensarem que estar fora do corpo físico é uma forma de expandir a consciência e com isso é difícil de ser enganado, muito pelo contrário, mexer com o que não conhece é mais uma ferramenta para ser enganado. A nossa carga aqui é tão grande e cômoda, que mesmo em um nível de consciência mais expandida, o sonhador pode carregar todas as características, assim dificultando entender o que é real o não. Não compreendem que no mundo espiritual, plano astral, seja lá qual for o nome, não é diferente da nossa, enquanto está nesse tipo de plano pode simplesmente estar criando um outro tipo de realidade. A nossa mente é bem complexa e muito mal compreendida, ela não tem limite. Um exemplo de filme sobre a mente é A Origem, onde mostra que dá para entrar dentro de vários sonhos. Outra coisa também nesse filme que é bem interessante, mostra que para saber se realmente está sonhando ou está no mundo “real”, cada um escolhe o seu tipo de totem, uma prova final de saber em qual mundo realmente está.
 
Filme "A Origem"

Não é tão diferente nessa nossa vida, o totem figurado no filme do personagem principal mostra algo material, o peão, podemos também encontrar uma forma pessoal, disse pessoal e não compartilhada como uma receita de bolo só porque funcionou para um, de saber qual é o nosso “totem” para podermos discernir melhor. Só lembrando que mesmo com um totem que serve como prova final em saber realmente o que aconteceu, não podemos deixar de lado a nossa intuição, o nosso interno. Devemos trabalhá-los, caso contrário, mesmo se tendo um totem, suas emoções podem conduzir a acreditar em algo mesmo que essas sensações sejam fortes o suficiente para lhe convencer, sensações são tipos de emoções que levam a euforias.